Ela era umas das mulheres mais negras que alguma vez conheci, de olhar distante, sorriso brilhante, mas triste. O mais triste que algum...

DOS CLICHÉS DE UM POETA

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Ela era umas das mulheres mais negras que alguma vez conheci, de olhar distante, sorriso brilhante, mas triste. O mais triste que alguma vez conheci. Ela, mulher magra de estatura média, doce por fora, mas amarga, melancólica, não tão sua ultimamente por dentro.

 Seus olhos, seus olhos de lacrimejo, que escondiam a criança que vivia perdida no centro daquela escuridão toda, aquela criança desconfiada, aquela criança escondida nos escombros mais profundos da sua consciência...

Mas eu amava-a, amei cada pedaço daquele corpo, amei cada ferida daquela alma, amei mesmo quando não podia entender toda aquela dor, amei mesmo quando acordava ao meio da noite e via aquela criança em si, perdida em pensamentos de volta para a janela, tão longe de si e tão longe de mim, mas eu amava-a…

 Se eu não pudesse amar o que não me pertencia, porque de facto ela não era minha, ela não era sua, ela não era  de ninguém, além de todos aqueles  demônios, que a sugavam, que a roubavam de si para lugares que nunca pude alcançar.
Mas eu amava-a, era impossível não amar, aquela complexidade toda de mulher, que me fez perder noites a fio e frio, entre as minhas palavras, entre meus poemas e prosas. E eu amava-a…

De toda  sua escuridão, ela aprendeu a vestir-se dela, calçar os sapatos dos anseios e dançar à uma   última valsa da meia-noite.

Para perder-se na madrugada, e se encontrar com o nascer do dia . Porque sua escuridão fazia poesia, e sendo poeta, como eu não a amaria ?



- My darkness makes some poetry, my dear .


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