Céu nublado, o cheiro da terra molhada, o vento que beija o meu rosto com leveza e compaixão e na mão, um dos meus melhores compa...





Céu nublado, o cheiro da terra molhada, o vento que beija o meu rosto com leveza e compaixão e na mão, um dos meus melhores companheiros, meu café forte, quente, amargo, tal como a minha alma em dias mais turbulentos. Vejo que o quintal não está o mesmo, o que ontem foi seca e castanho sem vida, hoje deu lugar a margaridas lindíssimas e flores que desconheço a espécie, porém, deixam os meus canteiros mais coloridos.

Hoje nem o zumbido das abelhas me incomoda, muito pelo contrário, fazem-se presente na musicalidade dos silêncios dos meus dias. Hoje eu só quero dizer que estou grata, grata pela chuva que ainda molha os meus prantos e que abençoa a minha horta ainda em crescimento. Também devo agradecer às pragas que infestaram  os meus jardins, deixando no lugar da harmonia que havia, um furacão de ser . Devo agradecer aos tempos de tempestade, em que a chuva não caía suavemente, mas sim tempestuosa, que traziam consigo dos mais variados desastres naturais, que destruíram tudo o que viam pela frente, casas, igrejas, até o pequeno parque em que costumávamos passar as tardes e fazer piqueniques até mais tardar. 

Mal eu sabia que tudo não passou de uma grandiosa metamorfose, das mais dolorosas que podia aguentar. De  que aquela lagarta desajeitada, com sonhos de voar para o noroeste, iria se transformar nessa borboleta de hoje, de cores acastanhadas e laranjas, que perdeu o medo de voar para longe, mas que também entendeu a necessidade de aprender a ficar, de criar raízes, de limpar a casa antes de deixar  um estranho entrar, que aprendeu a importância de ter fechaduras nos seus lugares mais íntimos do coração, não por desconfiança, mas por segurança. Que aprendeu a importância de mais dias como esse, no frio do seu quintal, com alguns livros da ‘’ Dorothy’’ . Não porque não soubesse voar, mas porque foi assim e aqui que ela decidiu ficar.



Obrigado 2015 pelos ensinamentos, que venha 2016 ! 

‘’Deitemos algumas dessas caixas velhas, têm ocupado um imenso espaço cá em casa, e pior dão uma aura pesada ao apa...












‘’Deitemos algumas dessas caixas velhas, têm ocupado um imenso espaço cá em casa, e pior dão uma aura pesada ao apartamento. Tenho pensado, que no lugar de toda essa tralha, poderíamos colocar um daqueles móveis brancos e lindíssimos que vimos naquele atelier de mobiliários, o que achas ? ‘’

De um dias para cá, tenho sentido um vazio dentro de mim, não daqueles nostálgicos e amargurosos, que normalmente se sente depois de se perder algo ou alguém, mas sim daqueles em que sentes como se tivesses limpado o apartamento e deixado todos os móveis fora, para uma possível venda de usados ou até mesmo doações.  Deste modo, sinto que me esteja a limpar de toda a ‘’negatividade’’, que tenha dado lugar à novos ares, que trazem consigo maresia, liberdade e o melhor de todos, maturidade. 

‘’  Maturidade ! Queres dizer crescer ? ‘’

‘’ Sim, exactamente isso. ‘’ 

‘’ E como se sabe que crescemos ?’’

‘’ Sei lá, acho que saberás quando deixares de te perguntar se ja caíste o suficiente para não cair novamente.’’

‘’ Não cair novamente, achas que  seja esse o propósito de crescer ? ‘’

‘’ Ah talvez seja aprender a cair, percebes ?’’

‘’ Não ! ‘’

‘’ Aff ! É tipo aquelas aulas de artes marciais em que o mestre não te ensina a ser ‘’imbátivel’’, mas sim a aprender a cair e a sentir menos dor.’’ 

‘’ Como se nos tornássemos fortes ? ‘’

‘’ Não necessariamente, talvez imunes seja o termo apropriado . ‘’

‘’Não vejo a hora de crescer, Sofia  . ‘’

‘’ Não te entusiasmes tanto, Helena. ’’


Vá, ajuda-me com estas caixas...



Ele mal conseguia olhar-me nos olhos, pela primeira vez me senti poderosa perante à um homem, e talvez tenha sido o...












Ele mal conseguia olhar-me nos olhos, pela primeira vez me senti poderosa perante à um homem, e talvez tenha sido o que me tinha chamado atenção em ti ! Essa tua timidez, genuinidade e simplicidade de gostar … 

No principio, não passava tudo de uma brincadeira minha, uma forma de deixar-te desconfortável e até de tirar proveito da situação e divertir-me um pouco, alimentava-me o ego, sentir-me desejada.


Decidi, em um certo dia, ter contigo e quebrar essa rotina de olhares no meio do ginásio. Das vezes em que me vias na sala das aulas em grupo e fingias estar a arrumar os equipamentos ou mesmo das vezes em que eu fingia não conseguir acertar as maquinas só para ter um pouco da tua atenção ! Fizemos isso por meses, e eu comecei a gostar e até a começar a sentir-me desconfortável e  borboletas no estômago em todas as vezes que passavas por mim..


Portanto, engoli um porre de coragem, fui até ti, olhei bem no fundo dos teus olhos, procurei as palavras certas, sem parecer vulgar para perguntar-te o teu nome, imagina ! nem o teu nome eu sabia … e talvez a tua idade ou então entregar-te o questionário de perguntas por te fazer que tinha guardado nas notas do meu telefone. 

Mas, pareceste surpreso e um pouco receoso, por segundos quase que me arrependi de tudo o que te tinha perguntado e só queria um lugar para enterrar a minha cabeça de tanta vergonha, mas na verdade, só tinhas receio que algum dos teus chefes te encontrasse em conversas impróprias durante o expediente ! 

’’23’’  disseste tu, ou melhor twenty-three , porque não falávamos a mesma língua e todas as nossas conversas foram devidamente analisadas por mim, em busca de algum erro gramatical que te desse uma ideia errada daquilo que realmente eu quisera dizer. ‘’Camões e Shakespeare’’ 

Raramente me interessaria por um homem mais velho como tu, por acaso tinha pavor deles, mas contigo foi totalmente diferente, senti que apesar da discrepância de idades, havia algo bem mais importante, a ligação emocional, a maturidade e o modo de raciocino bastante similar ! Como se eu tivesse encontrado a dita ‘’ alma-gêmea’’ … Pois ! Era bom (…)


‘’ Então vais ou não falar com ele ? ‘’ 

‘’ Ah que horror !  Não tenho coragem e se ele me achar nova demais ou pior atirada ! ‘’ 

‘’ Prefiro ficar aqui, e continuar a admira-lo a distância… ‘’

‘’ Ok. Tu é que sabes, mas essa tua timidez ainda vai impedir a tua felicidade.’’

‘’ Prefiro perdê-la  à ser rejeitada ! ‘’


‘’ És uma idiota. ‘’

Foram noites em branco, madrugadas de choros intermináveis, foram gritos de desespero, de desapego, como se me estivesse...






Foram noites em branco, madrugadas de choros intermináveis, foram gritos de desespero, de desapego, como se me estivessem a arrancar de ti ou melhor como se eu estivesse a arrancar-te de mim. 

E hoje tu voltas, encontraste a porta trancada mas mesmo assim insististe em bate-la vezes e vezes sem conta, e mesmo que eu tenha ouvido o barulho dos teus punhos na superfície do meu coração, o aço não me permitiu voltar a deixar- te entrar, não para os meus aposentos, para o mais intimo do meu ser. 

Mas educada que sou, convidei-te à  sala de estar, para que pudesses ver como o verde nas paredes fica melhor do que aquele laranja encardido que tinha este apartamento, deixei-te entrar para que pudesses ver como a mudança do móveis fez com que a aura desta divisão se tornasse mais leve,e como parti aquelas paredes, permitindo a entrada de ar puro, que me deixasse ‘’ respiraaaaar ‘’ 

 E embora, não o tenhas feito  com palavras querido, eu sabia  que os teus olhos gritavam por explicações, por tardes de café e discussões intermináveis de como poderíamos resultado, se eu não tivesse… se eu não fizesse… se eu não fosse ( risos ) 

Mas meu coração congelou-se, o meu intimo tornou-se impenetrável e a prova de cada comentário desagradável que viesse de ti, tinha criado uma armadura de gentileza apesar do inverno que habitava dentro de mim. 

E desse modo ‘’Eu lamento’’, mas não foi bem  assim. Não foi desta forma que eu tranquei o meu coração. E sinto muito que tenhas sido cego o suficiente para perceber que todas aquelas cartas que te escrevi, descreveram o processo do arrefecimento do  meu eu. Todas as vezes em que gritei por ti, mas que infelizmente a tua surdez não te permitiu ouvir, enquanto achava que a minha carne aguentaria pouco longe dos teus dedilhados. Tão ingénua que fui …

E  hoje voltas, e tudo o que posso me permitir sentir é pena, pena de não ser a mesma mulher que esperavas encontrar neste apartamento, sinto pena pelo meu corpo não se permitir sentir muito por ti ou até quase nada ! Privilegiado serias, se te odiasse, se sentisse magoa, ou se ao menos me deixasse mover pelo sentimento de vingança ! Mas infeliz ou felizmente,não, não existe absolutamente nada de ti entre as divisões do meu coração, fiz questão de empacotar os teus pertences, e deixa-los ir com o vento. 

Portanto o que te aconselho, é que pegues no resto de dignidade que te resta, que  dês meia-volta e que ao menos desta vez, tenhas a decência de fechar a porta delicadamente e que te leves para bem longe de mim ! E quanto a despedidas ?  Eu ja disse adeus ao homem que amei faz tempo e pelo teu próprio bem, deverias fazer o mesmo (…)



Boa sorte, e não voltes !

Hora de ponta para mim 02:00 AM. Mania minha de começar as minhas cartas com horas exatas. Ma...



















Hora de ponta para mim 02:00 AM.



Mania minha de começar as minhas cartas com horas exatas. Mas sabe, é uma forma que tenho de relaxar a minha mente antes de me escrever. 

17 de Setembro de 2015, são 5 meses já. Como o tempo tem passado rapidamente, depois de ter fechado os ficheiros inacabados das noites frias de julho,soube bem não mexer em gavetas como essas novamente, ajudou a repor as ideias.


 Os dias têm passado de uma forma brusca. Há dias que acordo, quando o sol já se tivera posto.  E vamos combinar que noites e madrugadas em claro, não substituem dias ensolarados e todas essas tretas que pessoas felizes e de bem com a vida adoram.

 Eu particularmente não ! Pelo menos não agora. A companhia dos meus cafés frios, dos meus enredos e dezenas de pedaços de papeis rabiscados com algum projecto de poesia que não tenha dado certo, serve-me perfeitamente.

E hoje não foi diferente, acordei quando o sol ja se tinha despedido de todo o seu espetáculo. Dei cabo de alguns cigarros, esvaziei as poucas garrafas de vodka pura que ainda tinha em casa. 

 Estado lastimável, com vozes de fundo de Amy Winehouse, que só davam ritmo a toda a melancolia que infelizmente, eu me apaixonei. 

Não suporto, ser incomodada do meu sossego. Que me tirem a paz e em troca me deem uma ‘merdazinha’ de paixão, essa moda de ‘meio-amar’ , de ‘ meio-gostar’ do assim-assim, do nem faz tanta falta, do eu não preciso tanto assim de ti (…)


Sabe ? Não obrigada, deixo-me estar por mais uma taça de vinho. 

‘ Já sei olhar o rio por onde a vida passa ’ - Ana Carolina. 01:17 AM. É madrugada, mas soa-me a...















‘ Já sei olhar o rio por onde a vida passa’ - Ana Carolina.


01:17 AM.


É madrugada, mas soa-me a fim de tarde. Minhas madrugadas costumavam estar carregadas das dores que ignorava com raiar do sol. Hoje sinto uma paz, uma leveza interior, como se os meus mares irados tivessem recuperado a pureza dos meus lagos cristalinos e serenos. 

Eu estou bem !

Tenho desfrutado da melhor das companhias,  ‘Eu.’
Deixei a porta trancada, fechei-me no sossego do meu quarto, deixei-me aconchegar pelo calor das minhas mantas e deixei o meu travesseiro abraçar uma consciência limpa.

Deixei o rádio ligado, danço aos hits de Ana Carolina, a noite toda, sem cessar. Com o sorriso mais puro que o meu rosto, algumas vez desenhou. Estou cristalina, mas estou armada.


 De toda essa leveza, veio os acordos, acordos de abstinência, acordos de manter uma relação restrita com o meu eu. Acordo este, de conhecer até ao mais profundo dos recantos, está mente minha, alma minha, este corpo meu.

Tenho monologado, dizem que é característica de mulheres inteligentes, tenho feito alguns discursos e proferido respostas sabias, para todas as questões que a vida tem me imposto.
Tenho corrido atrás de sonhos, tenho realizado prazeres tão próprios, tenho amadurecido de tal modo, que devo ter perdido algumas calorias no processo, no progresso…(Risos)

A vida tem me ensinado a maior das inteligências, a mais importante de todas, que na verdade, ultimamente, tenho pensado ser  o objectivo de viver. Inteligência emocional !

Quero ser Sofia, viver intensamente, sofrer perdas, cair algumas vezes, tropeçar em algumas pedras e quem sabe, algum dia, aprender a contorna-las ou talvez molda-las. 

Sei lá ! Viver . Deve haver algum propósito para toda essa corrida incessante.


Portanto, faço deste o meu propósito, decido ser SOFIA .

É SUPOSTO SER ASSIM ?  É SUPOSTO olhar para as nossas fotos com nostalgia e ter de fingir que me sinto bem com tu...









É SUPOSTO SER ASSIM ? 


É SUPOSTO olhar para as nossas fotos com nostalgia e ter de fingir que me sinto bem com tudo isso, quando não. Toda vez que arrumo o meu guarda-fato, ter de olhar para as tuas meias, para as tuas camisas, para as tuas t-shirts velhas, esquecidas no fundo da tua  gaveta, que não sei por que razão, ainda não a deitei fora.

É SUPOSTO procurar um pouco de ti em todos os homens que conheço, é suposto ser ainda tão dependente de ti, como sou. Ouvir as nossas músicas no fundo do meu ambiente de trabalho. É suposto adormecer todas as noites, com a imagem do teu sorriso, com o brilho dos teus olhos, com o desejo do teu toque na minha pele, enquanto encontro consolo entre os meus dedos, desde que a tua ausência deixou esse fogo de mulher, fogo de mulher por ti, para trás.

Não te consigo perdoar ! Tento, mas não consigo. 

Não consigo perdoar o homem que trouxe cor para os meus dias, e arrancou-o bruscamente, sem  piedade, deixando essa mulher cinzenta por dentro, mulher amarga, essa mulher não-tão-sua ultimamente. NÃO TE CONSIGO PERDOAR. Pergunto-te é SUPOSTO SER ASSIM ?

Teres secado o vale das minhas lágrimas, mas teres deixado o meu coração num oceano de incertezas, ânsias, num vale de tanto-fiz, tanto-faz.


São em noites como essa, que tudo em ti me faz falta, desde o  mau-feitio, até a fria  insensibilidade tão característica . 

Seria engraçado, talvez chegaria a ser ridículo, que o meu coração se tenha transformado (estupidamente) masoquista a este ponto. 

Ainda não aprendi a apagar-te de mim.


 'Just come back,please! '




Com amor, Helena.

'' O que há entre um amor e outro ? '' ‘’Descansa, reponha as suas forças querida. Tudo virá à seu tempo’...






'' O que há entre um amor e outro ? ''


‘’Descansa, reponha as suas forças querida. Tudo virá à seu tempo’’

Dizia a minha mãe enquanto acariciava o meu cabelo com ternura.


O meu receio, após o nosso término, a solidão, as noites de sábado que passaria na cama, com a minha playlist de blues and soul music, as vezes em que iria encharcar o meu travesseiro com a água salgada que escorre pelos meus olhos, todas as vezes em que os meus demónios vencem a beleza dos dias, em que sempre procuro prazer .

Mas, o que houve entre um amor e outro ? 

Entre eles, houve tempestade, houve dor, muita dor. Houve desespero, medo, angústia e uma enorme vontade de desistir de toda esta corrida e de voltar para o seguro e conforto dos teus braços. Entre um amor e outro, houve perdas, houve ganhos, ouve alguns gritos de apego, outros de possessão, mas o que ecoou mais alto, foram aqueles gritos de liberdade . Das tardes de gargalhadas, das tardes de maresia. 

Entre um amor e outro ? Houve poesia, ouve a descoberta da escritora em mim, ouve o ‘’ voar sem asas’’ dos dias de lazer. Houve a descoberta dos prazeres de uma simples brisa no rosto. Neste intervalo descobri o prazer pelos chás quentes em noites de inverno ‘chá verde,chá de camomila, chá preto, chá negro.’  Descobri o prazer de se deslumbrar com  o modo como o sol se põe entre as arvores, que apenas a vista da minha janela, tem o prazer de ‘ ter’ . 

Houve a busca do doce nas amarguras dos meus palavreados, houve a busca da doceira em mim. Houve a pratica, houve a habilidade, houve o prazer no fazer, houve o prazer de crescer(…)


Entre o teu amor e o de outrem, Houve o perdão, a aceitação, houve o querer, mas melhor do que tudo, houve o prazer no saber… Devorei uns quantos livros, embebi-me de poesia, filosofia e ciência. Não foi tudo  um caso perdido, porque entre o teu amor e outro. Ouve, sim Houve o mais importante de todos, o AMOR-PRÓPRIO. 



Hoje, danço. Hoje, escrevo. Hoje, confeito, hoje, canto. Hoje, me amo. 

''Respira, respira, vamos devagar, conta até 3 e levanta''.  ''Vamos''  !  Apoiei os bra...







''Respira, respira, vamos devagar, conta até 3 e levanta''. 

''Vamos'' ! 

Apoiei os braços por cima dos ombros dela, deixei-me descansar por poucos minutos naquele abraço sincero, misericordioso, naqueles braços de protecção e de amor. Caminhamos por mais alguns quilómetros, o trajecto era complicado, difícil, de fazer qualquer um desistir, mas ela continuou, incessante(…)  

 Eu lembro,  de vezes em que vomitei no seu colo palavras que nunca proferi, nem nos silêncios dos mais remotos pensamentos que me assombravam nas madrugadas frias e solitárias. 

Lembro de vezes em que me senti disposta a andar mais alguns quilômetros, do lado dela, de mãos dadas, não naquele trapo de gente que me encontrava e que a fazia carregar.
Caminhos longos, caminhos movidos pela esperança, pela fé daquela mulher, de me tirar das armadilhas que eu criava para o meu trilho. Caminhos com alguns atalhos, mas atalhos que não davam lado algum, mas que por vezes nos permitiam sentar a sombra da bananeira, beber da agua fresca dos poços e de sentar em cacimbas durante dias, dias alegres, dias eufóricos, dias em que a montanha russa dos meus anseios, decidia que deveria ver a beleza das nuvens, sentir o vento pelas asas das aves, sentir o sol poente das tardes de maresia… 


Houve dias. Dias em que nem a ilusão do oásis no deserto  era suficiente .


Mas andámos, ‘’ Vamos filha, dez passos para trás, onze passos para frente ‘’ 

‘’ Não tenhas medo, eu estou aqui. Não te abandono ! ‘’



Dedicado a minha amiga, Lizandra Gomez.  




Meio-dia, calor infernal, eu estava no meio do engarrafamento do caos da nossa cidade. As ofensas dos taxistas, os grit...









Meio-dia, calor infernal, eu estava no meio do engarrafamento do caos da nossa cidade. As ofensas dos taxistas, os gritos das ‘’Zungueiras’’, as Cucas e ‘’ Sumois’’ dos sacos plásticos das mãos daqueles jovens ambulantes. Aquele teria sido apenas um dia comum, uma quarta de pressa, uma quarta de ‘’stress’’, uma quarta típica da capital .

Mas lá estavas tu ! Na passadeira para peões, apressado, com a atenção focada para qualquer outro lugar, menos para aquele carro vermelho sujo em que me encontrava. Pode parecer ‘’cliché’’ que seja ! Que se dane ! Mas foi o que aconteceu.

De pele morena, bronzeada pelo sol ardente dos 33 graus celsius que se fazia sentir, cabelo semi-curto, ( costumava dizer que te fazia parecer aqueles soldados das forças armadas dos estados unidos) estatura média . Não que fosses dos homens mais atraentes que conheci, tão pouco dos homens que ja vi passar pelas estradas e ruas, enquanto conduzia o meu ‘’ Mitsubishi’’ Mas havia algo ! Havia algo que não me permitiu tirar os olhos de cada detalhe da tua silhueta, silhueta aquela, que mais tarde,  percorreria  com os meus dedos, com o meu corpo, com os meus lábios, com o meu desejo.

Então segui-te ! Naquele momento pareceu loucura, e se tivesse acontecido há uns anos atrás, teria rido de toda aquela ideia e talvez voltaria para a casa com a sensação de arrependimento, que sempre me acontecia toda vez que deixava a minha timidez tomar as rédeas da minha vida amorosa. 


 Sem perder o foco do texto, eu segui-te, durante cerca de 30 minutos, até perder-te o rasto.

Mordi o lábio, ajustei o sutiã, passei uma mecha de cabelo por de trás da orelha, dei meia-volta e fui, com a garganta seca, com borboletas que não me largavam o estômago, mas com o sorriso nos lábios, sorriso aquele, que nao emitia até  te conhecer.



PEÇO DESCULPAS Sei que tenho sido rude, sei que não fui tão altruísta quanto gostarias, peço desculpas. ...


PEÇO DESCULPAS














Sei que tenho sido rude, sei que não fui tão altruísta quanto gostarias, peço desculpas.

Sei que após todo aquele bater de portas, os gritos no meu apartamento, as tuas malas dispostas por cima da minha cama e os teus pertences jogados no chão, pensarias, acharias que talvez, eu devesse puxar pelo teu braço, que talvez eu deveria ter chorado, implorado,  que talvez eu devesse ter feito algo, algo significativo, algo dramático o suficiente, para que alimentasses o teu ego.

Que talvez, eu devesse ter ligado, uma não ! Mas vinte vezes para o teu telemóvel, enquanto ririas prazerosamente de todo o meu desespero, de toda a minha dependência, de toda a minha carência de ti. E  talvez chegasses a mostrar aos idiotas dos teus amigos. 


-  Ela não me larga, chata de merda ! 


 Mais uma vez, eu peço desculpas por não ter tocado  a minha playlist das músicas da ‘’Joss Stones’’, de não ter ouvido ‘’ magoa’’ de Ana Carolina querido.

 Eu lamento imenso.

 Ter  fechado aquela porta, por trás das tuas costas, sem  hesitar, e que tenhas sentido aquela ventania fria, acompanhada da minha ira, de toda a minha magoa, de toda aquela fadiga que senti.

E o pior de tudo querido, peço desculpas por ter a trancado, enquanto aguardavas por mais uma cópia das chaves …





As paredes são as mesmas, as musicas no meu rádio a pilhas, os poemas por debaixo da mesa de centro e todos aqueles livros empilh...









As paredes são as mesmas, as musicas no meu rádio a pilhas, os poemas por debaixo da mesa de centro e todos aqueles livros empilhados naquela estante velha disposta no canto da nossa sala.

A luz do pôr do sol continua a deleitar-se da mesma maneira sob a nossa janela, que ao se despedir de todo o seu espetáculo, ilumina a cabeceira da nossa cama, que torna visível as manchas de semanas sem limpeza. Tudo na ''mesmice'' querido, desde que partiste.

Os dias têm sido cinzas e azuis, tenho acordado em felicidades momentâneas e em tristezas que não me largam o corpo. Por vezes, acordo esperançosa, visto-me das nossas lembranças em verde claro, calço os nossos desejos e maquilho-me de nossas fantasias.

 E olha demônio! Por vezes até cozinho. Deixo a lasanha por cima da mesa, com o melhor dos vinhos que o meu salário pudesse comprar e espero… Paciente, durante horas, dias, semanas. Eu espero-te , até me afundar em mais um dos meus mares de vai-e-vem, de saudade, até voltar para  toda essa montanha russa que tenho vivido durante estes meses todos, demônio . ‘’Cima, baixo, baixo, cima’’…


                                                                   ***


Mais uma carta demônio, que vai para o fundo da gaveta dos meus pensamentos. Mais uma carta demônio, em que grito para as palavras, o que a minha boca não consegue gritar para os teus ouvidos.

No entanto, nesta noite não será diferente. Irei  sentar-me na nossa mesa, no mesmo lugar, de rosto virado para à porta, caso ouça a maçaneta girar, na companhia dos meus pensamentos, na companhia do silencio do nosso lar, com a taça de vinho, com a lasanha fria, e a tua cadeira vazia...



Com amor, Helena .

Ela era umas das mulheres mais negras que alguma vez conheci, de olhar distante, sorriso brilhante, mas triste. O mais triste que algum...






Ela era umas das mulheres mais negras que alguma vez conheci, de olhar distante, sorriso brilhante, mas triste. O mais triste que alguma vez conheci. Ela, mulher magra de estatura média, doce por fora, mas amarga, melancólica, não tão sua ultimamente por dentro.

 Seus olhos, seus olhos de lacrimejo, que escondiam a criança que vivia perdida no centro daquela escuridão toda, aquela criança desconfiada, aquela criança escondida nos escombros mais profundos da sua consciência...

Mas eu amava-a, amei cada pedaço daquele corpo, amei cada ferida daquela alma, amei mesmo quando não podia entender toda aquela dor, amei mesmo quando acordava ao meio da noite e via aquela criança em si, perdida em pensamentos de volta para a janela, tão longe de si e tão longe de mim, mas eu amava-a…

 Se eu não pudesse amar o que não me pertencia, porque de facto ela não era minha, ela não era sua, ela não era  de ninguém, além de todos aqueles  demônios, que a sugavam, que a roubavam de si para lugares que nunca pude alcançar.
Mas eu amava-a, era impossível não amar, aquela complexidade toda de mulher, que me fez perder noites a fio e frio, entre as minhas palavras, entre meus poemas e prosas. E eu amava-a…

De toda  sua escuridão, ela aprendeu a vestir-se dela, calçar os sapatos dos anseios e dançar à uma   última valsa da meia-noite.

Para perder-se na madrugada, e se encontrar com o nascer do dia . Porque sua escuridão fazia poesia, e sendo poeta, como eu não a amaria ?



- My darkness makes some poetry, my dear .

São 6 da manha, não costumo acordar tão cedo, mas a presença desse homem do meu lado repugna-me, desde  modo que  ...












São 6 da manha, não costumo acordar tão cedo, mas a presença desse homem do meu lado repugna-me, desde  modo que  se mexe, até ao  modo como fala, e o pior de tudo, o sujeito ronca. Oh DEUS ! Quem me conhece sabe bem como odeio roncos e homens pegajosos como este.

Fizemos sexo a noite toda, e quem me dera que ele fosse como os outros cavalheiros, nada cavalheiros que logo após o coito, tinham a decência de arrumar as suas tralhas e irem-se, de vez… Ainda bem ! 

Tenho uma camisola velha minha vestida, o cabelo numa desgraça e não consigo lembrar-me onde esse indivíduo, (sim indivíduo, que nem do seu nome me lembro ao certo) atirou o meu par de lingerie novas, que desperdício de merda .

Ultimamente os dias têm sido assim, vazios,tristes e as noites eufóricas, cheias de luxuria e tesão. Tenho vivido como uma … ( vocês sabem o termo melhor do que eu ). 

Este é o segundo só essa semana, e olha que não vou ao meio dela, e acordo sempre com essa sensação de nojo, de arrependimento, com essa sensação de vadia ! Com vergonha do  próprio corpo, com vergonha de mim mesma, por me permitir descer tão baixo, por me permitir valer tão pouco… 

Quando tudo o quis foi amor, do mais cliché, daqueles em que me punham a suspirar durante horas, daqueles que faziam o meu coração acelerar, daqueles em que me faziam corar, daqueles em que me faziam querer abrir janelas da minha alma, de deixar entrar a luz, entrar o sol, entrar a brisa fresca das noites de domingo...

Não apenas dessa sensação cinza que me queima as cuecas, mas me arrefece o coração .





Só divagando...


-  Hey, acorda ! Preciso que saias …

Trocámos as gases, trocámos os adesivos, tu passas-me o álcool e eu passo por essas úlceras sobre o meu coração, eu pa...










Trocámos as gases, trocámos os adesivos, tu passas-me o álcool e eu passo por essas úlceras sobre o meu coração, eu passo-te a água oxigenada e tu passas por esse teu ego ferido… Então demónio, vamos fechar feridas ?

Mudámos as meias para gavetas separadas, eu fico com o televisor e tu com o forno a gás, vamos mudar cortinas, vamos trocar travesseiros e deitar todas aquelas cobertas janela à baixo... Então demónio, vamos fechar feridas ?


Vamos deitar momentos, vamos deitar todos aqueles dramas, eu entrego-te  de volta, tudo de ti que deixaste por aqui e tu dás-me de volta,  tudo aquilo que roubaste de mim...Então demónio, vamos fechar feridas ?

E se, querido, a crosta aparecer por cima, mas por dentro tiveres uma ferida crônica apodrecida. fazemos assim, eu trago as agulhas que formaste em mim com  todas aquelas palavras, tu as pedras, todas aquelas pedras que formei em ti. E cozemos cada dano, para bem longe da minha vista, para bem longe de mim. Que te torture por dentro, mas não permitirei que me torture novamente... Então demónio, vamos fechar feridas ?


Então, da forma mais dramática , como nos  romances do Nicholas Sparks, tu arrependido e eu decidida, irei  abrir aquela porta,  pegar nas tuas malas, nas tuas falácias, nas tuas cartas, nos teus ciúmes, no sofrimento todo que me causaste e o pôr porta à fora... E quanto a ti ? 

 Querido... Tu conheces  o caminho como  ninguém (...)

 O que me dizes, VAMOS FECHAR FERIDAS ?


Sempre me disseram que os olhos eram a janela da alma, que eles não mentiam, que eles eram puros, que eram a transparência de t...






Sempre me disseram que os olhos eram a janela da alma, que eles não mentiam, que eles eram puros, que eram a transparência de tudo o que se passava por dentro. Mas não os meus, meus olhos eram tudo menos janelas,meus olhos eram pura malícia que se faziam rimar com a inocência do meu rosto. Meus eram dissimulados, manipuladores, meus olhos eram negros como a noite, meu olhos eram tudo, menos o que a minha alma era.

Eram duas da manhã, noite fria de cacimbo na cidade de kianda. Tinha uma taça de vinho entre as mãos e na outra o telemóvel, ele estava a caminho. Na minha mente se passavam milhares de coisas, como seria, o que faria, como terminaria. Trinta minutos depois, ouço o bater da porta e levanto-me.

Abro a porta e na minha frente encontrava-se aquele homem…

Passo a língua entre os lábios, tinha a garganta seca mesmo depois de tanto vinho que bebi, reparo aquelas mãos, aqueles braços e a forma como encaixavam naquele terno e como encaixariam em cada curva do meu corpo. 


Estávamos sentados no meu sofá, com vista para a baía. A noite estava perfeita, estrelada, a lua em conexão com o meu estado astrológico, 'Venus'. Aquele Deus do Ébano, fixava o meus olhos em busca de algo, mas tudo o que eu poderia oferecer-lhe era pura luxúria, luxúria que me queimava o corpo, que arrepiava cada pelo da minha pele, e os meus poros ? Meus poros estavam totalmente prontos para receber cada gota de suor sua ...

‘’ I CANT MAKE YOU LOVE ME ‘’ Sabe aquela sensação de seres capaz de fazer de tudo por uma pessoa, saltar para cima de u...










‘’ I CANT MAKE YOU LOVE ME ‘’ Sabe aquela sensação de seres capaz de fazer de tudo por uma pessoa, saltar para cima de um carro ou até mesmo levar um tiro, parece loucura ? É, eu sou um bocado louca sim. 

Essa é a quarta  carta que te escrevo, acredito que estejas a ler este texto e a pensar, ‘’ eu nem sequer recebi a primeira’’. Exacto, a primeira, aquela que guardei à sete  chaves dentro de mim, aquela em que não escrevi, mas sim vomitei cada palavra, cada verso, cada vírgula, cada ponto. Com o porre de coragem, depois de tanto tempo sem voltar a pegar em uma caneta, sem deixar que nenhuma palavra viesse de mim ‘’ sentida ‘’ como todas aquelas vieram. Não sei ao certo por que te escrevo novamente, depois de ter prometido para mim mesma que aquelas seriam as ultimas palavras que escreveria em tua honra. Mas e a inspiração querido ? Eu poderia escrever sobre o dia, poderia escrever sobre sexo, poderia escrever até sobre os temas mais clichés que qualquer escritor poderia imaginar, mas e a inspiração querido ?

Ela não me bate a porta, a não ser que o assunto sejam os nossos casos mal resolvidos, todas aquelas discussões em que me calei e preferi dormir, todos aqueles momentos em que quis bater na tua porta, no meio da madrugada, completamente bêbeda. Em que quis gritar o teu nome, por baixo do teu prédio, em que quis aparecer no teu atelier, em que quis destruir tudo o que te trazia sossego, porque eu, eu querido, eu já não era sossego. Era um furacão há espera de um pequeno sopro, por mais pequeno que fosse, para que me permitisse destruir cidades, vilas, destruir tudo em tua volta, porque foi nisto que me transformaste. Todos os meus lagos tranquilos, em mares irados, em tsunami catastróficos, em sismos aleatórios, em tudo menos no que eu costumava ser. 

Mas nem um único sopro, nem um único vento. absolutamente nada ! 

E como em todas as outras vezes, eu vou engolir mais uma carta, mais uma crise, eu vou manter todo o furacão dentro de mim, como tenho feito em todos esses meses.
 Até quando irei aguentar?
 Não sei ao certo. Mas hoje, não foi dos dias em que a coragem bateu-me a porta, em que embebedei-me de bravura, então permaneço imóvel, serena, permaneço Helena.


Com amor, Helena .

A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO  Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, p...

A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO 





Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, pesada, tonta. No caminho, passo pela sala e toda aquela confusão continuava ali. Dou meia volta e de cara para o espelho, toco no rosto e passo os dedos ao redor daquele meu olho roxo, passo uma mecha de cabelo por de trás da orelha e sorrio… 

A noite de ontem foi confusa, ele tinha chegado a casa totalmente fora de si, aos tombos, totalmente bêbedo.

Sinto o corpo dolorido, passo água no rosto, limpo com uma toalha e saio. 

Sento-me no sofá perto da janela, acendo um cigarro e expulso todas as preocupações, todas aquelas dores que senti nos últimos meses, toda aquela insegurança. Ponho-me a refletir sobre tudo que tinha acontecido, desde o momento em que ele transpôs aquela porta, em que partiu para cima de mim, em que bateu bem no meio do meu rosto, em que quase fraturou-me uma das costelas de tantos chutes que levei covardemente naquele tapete, enquanto ele ria-se e eu ria-me de mim,   rimos de nós , rimos tanto, que acabamos por ‘’ fuder ‘’ ( se for esse o termo mais adequado para aquilo que fizemos) no meio daquele desastre todo. Com todo o ódio que sentíamos um pelo outro, foi intenso, foi maldoso, foi terrível, foi desastroso, foi ‘’ TÃO ‘’ nós (…)


Deitamo-nos no tapete, acendemos um cigarro e fumamos todas aquelas prosas… 

                                                                  ***
Deitei o cigarro por cima do AC do vizinho de baixo, virei-me de encontro a porta do quarto, e lá estava ele, de pé totalmente nu, eu conhecia aquele olhar, conhecia aquela expressão, iria acontecer tudo novamente… ( Risos)

SE EU VIVESSE DE MIGALHAS Se eu vivesse de migalhas teria atendido ao teu telefonema naquela sexta há noite em que co...







SE EU VIVESSE DE MIGALHAS



Se eu vivesse de migalhas teria atendido ao teu telefonema naquela sexta há noite em que convidaste-me para jantar naquele restaurante no centro da cidade. Se eu vivesse de migalhas teria retornado a chamada depois daquela noite de sexo ardente que tivemos, se eu vivesse de migalhas querido, teria acreditado em todas aquelas mensagens que trocávamos, teria acreditado em todas aquelas noites em que ficamos horas e horas  falando no skype. 


Se eu vivesse de migalhas, teria te dito ‘’ TE AMO’’  na primeira vez em que senti as minhas pernas bambas, o meu estômago as voltas, a minha cabeça a roda e a boca seca, roca, quando ligasses para mim. Se eu vivesse de migalhas, teria acreditado, em tudo, teria me iludido com este sorriso matreiro que exalavas, Se eu vivesse de migalhas, teriam sido apenas migalhas, nada mais.

Então, eu não vou retornar todas essas chamadas, eu vou me rir da tua cara cada vez que disseres que tens saudade, eu vou fingir sorrisos na tua cara, enquanto tudo o que quero é cuspir no teu rosto por achares-me tão estúpida ao ponto de não reconhecer essas ‘’migalhas’’ de 3 meses ou menos, em que depois de te aborreceres do jogo, ou de ao menos teres a sensação de que me ganhaste por completo e virares, ires-te embora… 

 - Eu amo-te- Disseste tu.

 - Eu também te amo- Disse eu … 




Este está a ser um daqueles domingos frios, vazios, sem sol algum. E eu aqui, nessa cama deitada o dia inteiro com a cabeça muito lo...






Este está a ser um daqueles domingos frios, vazios, sem sol algum. E eu aqui, nessa cama deitada o dia inteiro com a cabeça muito longe do meu corpo, muito longe da minha órbita e muito perto de ti. Tenho o telemóvel do lado da cama, que as vezes chego a sentir uma leve vibração. Espero a tua chamada !

Espero que ligues, a rotina tem sido a mesma desde há 2 meses atrás,desde que saíste por aquela porta. Os sonhos têm sido constantes, contigo sempre  do outro lado, com o teu sorriso meio psicopata enquanto as tuas mãos percorrem o meu corpo, como se eu fosse uma das tuas telas, como se estivesses entusiasmado em fazer dessa simples mulher, mais uma das tuas obras de arte, de valores incalculáveis que deixarias no canto do teu estúdio, no lado das outras que sempre foram ‘’  PRECIOSAS’’  para ti.

Mas não, nem uma chamada, nem uma sms, nem sequer um torpedo. Não ter noticias tuas é torturante. Simplesmente desapareceste de todo o mundo real, porque dentro de mim, ainda existes aos montes, impregnado nas minhas roupas, tatuado na minha alma, e não há cirurgia que te tire, não há terapia que amenize, simplesmente decidiste lá ficar, aos tombos, provocando-me borboletas na barriga sempre que lembro de ti, decidiste ficar. Mas eu bem queria que não fossem apenas as minhas memórias que te mantivessem preso a mim. Mas, que todo o teu corpo físico continuasse ali, aqui, em todo o nosso lar, no outro lado da minha cama, no sofá com o jogo de futebol, na cozinha com o cheiro dos teus cozinhados, e na varanda com o cheiro do teu cigarro. Que simplesmente ficasses, com todos aqueles defeitos que achei que não suportaria por muito tempo, que simplesmente ficasses por inteiro, não por essa metade que deixa o vazio, o silêncio no nosso lar, mas que continua aos gritos dentro de mim(…) 



Com amor, Helena .

                      Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter ...

                     






Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter sido um sonho. Lembro de bater em meu rosto algumas vezes, apenas  para ter a certeza de que nao fazia tudo parte da minha imaginação, até porque nao seria a primeira vez em que sonhava que saías por aquela porta. Acordava apavorada, mas lá estavas tu sempre, no outro lado cama, imaculado, lindo, perfeito, perfeito disse eu…

Mas nao, eu nao acordei,nao na  minha cama,  nao acordei do teu lado, nao acordei com o teu rosto virado para mim, eu continuava ali especada feito uma idiota em frente daquela porta. 


-Helena !!!!!!! 

-Querido ? 

-Onde estás Helena? Preciso que venhas ajudar-me a desfazer essas malas.

-Uff - Suspirei

-Sabes que estou farta de ter que arrumar sempre as tuas meias, as tuas botas, os teus pincéis, a tua -desarrumação  e pior a tua vida.

-Se tivesses tão farta assim querida, nao me deixavas passar por aquela porta pela terceira vez, então nao reclames tanto…

Deixei os meus livros por cima da mesa de canto e fui ao encontro dele, ele encontrava-se irresistível como sempre. O cabelo negro, com as suas velhas jeans sujas de tinta e com aqueles ombros vastos nus, todo para mim, aquele homem era meu e eu era dele, nos pertencíamos, era quase como uma maldição, estávamos ‘’ amarrados um ao outro ‘’.



Divaguei sobre esses momentos por algum instante enquanto sentava-me sob a cabeceira da nossa cama. Sempre gostei de alimentar-me de lembranças boas enquanto o sentia distante de mim, era como se fosse quase uma terapia, como se precisasse lembrar de que sou amada, que aquela mulher pouco atraente por frente do espelho prendia a atenção de alguém, prendia a atenção do alguém, eu era amada por aquele demônio, aquele demônio soube me amar, soube me fazer amar e soube me fazer amar-me. Aquele demônio foi meu,  foi, disse bem (...)


‘’ Com a porta semi-aberta caso penses em voltar. E no caso de pensares, não penses, volta !’’ 



Com amor, Helena.

Drogas , para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei ...









Drogas, para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei que tivesse.


Faz alguns dias desde a ultima vez que falámos, por vezes ainda sinto o teu cheiro no outro lado da nossa cama, mas sei que pode ser tudo paranóia minha, porque no dia em que fechaste aquela porta, em que trancaste nao a 7 chaves, mas a 14, fiz questão de deitar todos aqueles lençóis, de desinfectar aquela que foi a nossa casa, precisava que desaparecesses de tudo que me rodeava. 

Mas ainda  te sinto aqui, e muito.

Numa noite de abril, numa sexta acho eu, a mais fria de todas em que chovia torrencialmente no lado de fora, cheguei à casa e encontrei as tuas chaves sobre a mesa como constantemente fazias, mas naquele dia foi diferente, nao havia o cheiro das tuas panquecas nem o barulho do televisor, nao havia os teus pincéis espalhados pela sala e tu, tu querido, tu nao eras aquele homem sentado no sofá com as tuas malas de lado… 
Olhaste para mim enquanto me aproximava de mim.  Levantaste-te no momento em que tentei tocar-te, afastaste as minhas mãos de ti e disseste : 

-Helena, eu preciso de espaço, espero que entendas.
-Espaço ? - Disse estupefacta enquanto tentava encontrar o meu demónio naqueles olhos, que de alguma forma nao olhavam para mim de volta da mesma forma .



Reviraste os olhos, pegaste nas tuas malas, nos teus pincéis, no cheiro das tuas panquecas, e no barulho do jogo de futebol das sextas a noite e o pior pegaste no que restava de mim e simplesmente foste, enquanto eu esperava imóvel que olhasses para trás, que mostrasses algum tipo de hesitação, que simplesmente espelhasses alguma dúvida. Mas nao, teus passos pareciam decididos em transpor aquela porta para nunca mais voltar e assim o fizeram, batendo a porta ao ritmo do meu coração, deixando somente  o silêncio em volta daquelas paredes(…)

 As malas dispostas por cima da minha cama, as minhas roupas embrulhadas no canto e no ar a dúvida  do que levaria.  Talvez d...







 As malas dispostas por cima da minha cama, as minhas roupas embrulhadas no canto e no ar a dúvida  do que levaria. Talvez devesse  levar as minhas malhas quentes, ouvi que este tempo em Londres o clima estava de inverno...
   
 E lá  estavas tu no lado da porta, prestável como sempre foste e tentado convencer-me do porque deveria deixar todos aqueles calções  de que tanto gostava, pois só teria mais excesso e o dinheiro naquele dia estava quase escasso.

Fechamos as Malas, pusemos os cadeados e deixamos no canto da nossa sala, como se em alguma altura iríamos nos esquecer do que estava realmente a acontecer,  e talvez devêssemos levar um choque da realidade de que eu estava a ir-me embora e como disseste, precisávamos de nos habituar com a ideia o mais rápido possível.

    Faltavam apenas 4 dias para o dia D, e parecias estar bem, corajoso e decidido que aquele seria o nosso próximo passo, e sinceramente, esta era uma das qualidades que mais gostava em ti, a sensação de confiança que transmitias … 
                                                                   ***

     O DIA D, finalmente chegou e eu estava entusiasmada e feliz, ate porque aquela seria uma chance enorme de progredir na minha carreira, de seguir os meus sonhos, de levantar voo por mim mesma, sem ter sempre as tuas asas para ampararem a minha queda. Mas, neste dia, tu acordaste diferente, estranho e nao te encontrava nos teus olhos, pareceu que simplesmente tinhas desaparecido, que nao eras tu naquele momento, que ficou apenas um corpo frio no meio da nossa sala, com um sorriso idiota estampado no rosto, desejando-me boa viagem e dizendo-me que estarias no mesmo lugar depois de 12 meses esperando por mim,  ansioso. Disseste tu(…)


Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

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