Meio-dia, calor infernal, eu estava no meio do engarrafamento do caos da nossa cidade. As ofensas dos taxistas, os grit...

CRÔNICAS DOS AMORES DE ROTINA

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Meio-dia, calor infernal, eu estava no meio do engarrafamento do caos da nossa cidade. As ofensas dos taxistas, os gritos das ‘’Zungueiras’’, as Cucas e ‘’ Sumois’’ dos sacos plásticos das mãos daqueles jovens ambulantes. Aquele teria sido apenas um dia comum, uma quarta de pressa, uma quarta de ‘’stress’’, uma quarta típica da capital .

Mas lá estavas tu ! Na passadeira para peões, apressado, com a atenção focada para qualquer outro lugar, menos para aquele carro vermelho sujo em que me encontrava. Pode parecer ‘’cliché’’ que seja ! Que se dane ! Mas foi o que aconteceu.

De pele morena, bronzeada pelo sol ardente dos 33 graus celsius que se fazia sentir, cabelo semi-curto, ( costumava dizer que te fazia parecer aqueles soldados das forças armadas dos estados unidos) estatura média . Não que fosses dos homens mais atraentes que conheci, tão pouco dos homens que ja vi passar pelas estradas e ruas, enquanto conduzia o meu ‘’ Mitsubishi’’ Mas havia algo ! Havia algo que não me permitiu tirar os olhos de cada detalhe da tua silhueta, silhueta aquela, que mais tarde,  percorreria  com os meus dedos, com o meu corpo, com os meus lábios, com o meu desejo.

Então segui-te ! Naquele momento pareceu loucura, e se tivesse acontecido há uns anos atrás, teria rido de toda aquela ideia e talvez voltaria para a casa com a sensação de arrependimento, que sempre me acontecia toda vez que deixava a minha timidez tomar as rédeas da minha vida amorosa. 


 Sem perder o foco do texto, eu segui-te, durante cerca de 30 minutos, até perder-te o rasto.

Mordi o lábio, ajustei o sutiã, passei uma mecha de cabelo por de trás da orelha, dei meia-volta e fui, com a garganta seca, com borboletas que não me largavam o estômago, mas com o sorriso nos lábios, sorriso aquele, que nao emitia até  te conhecer.





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