Entre tantas as andanças pela cidade que na correria dos dias de semana e na pouca importância em que se deposita à seres t...




Entre tantas as andanças pela cidade que na correria dos dias de semana e na pouca importância em que se deposita à seres tão vazios de si e tão cheios do que tampouco importa. 

Uma cidade fria, porém sofisticada. 

Uma cidade em que o metal dos enormes edifícios, de lojas e shoppings pela calçada mataram o que havia de mais belo em si, um pequeno jardim … 

Mas como ? 
Como um pequeno jardim, um pequeno quarteirão de ervas mormente organizadas e aparadas pelas mãos de um humilde e nobre jardineiro pode representar tanto para uma cidade... 

Como ? Como se pode dar tanta importância à algo que com o tempo será envelhecido, quiçá esquecido ... 

Bem, digo que sim !  

É desse jardim que se fala, desse jardim que inspira homens, mulheres, crianças...

É desse pequeno jardim, no meio da grande metrópole, que de seu modo simples nos tenta relembrar do que realmente importa, do que a vida se trata, de que por vezes é preciso olhar, sentir e respirar ...

Um jardim que te convida a entrar, apaixonar e passar o resto de tardes em si deitado, que te possas deleitar com o de mais belo e puro que em si existe. Um jardim que presenciou, suportou às inúmeras mudanças, tempestuosas metamorfoses, construções e a violenta agressão da poluição. 


Um jardim que testemunhou primeiros beijos, amores à primeira vista e reconciliações de tantos os casais, um jardim histórico que devolveu tanto de si à pequenos rebentos que sobre si corriam e exaltavam alegria, um jardim que te convida a sentar, amar, deixar-se amar e levar, um jardim que preserva o antiquado ao invés do moderno, que preserva conversas em seus parques ao invés de olhos sobre o virtual. Um jardim… O jardim… Um amor… O amor…

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Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que reparei no teu sorriso resplandecente,  no brilho cintilante e no que tanto esc...





Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que reparei no teu sorriso resplandecente,  no brilho cintilante e no que tanto escondia o teu olhar. 

Lembro-me de estarmos distraídos em algum tipo de conversa com pouco sentido, se bem me lembro falávamos de linguistica e a similaridade da gramática em grande parte das línguas, tema que gerou debates entre o pequeno grupo em que nós os dois nos encontrava-mos, e como bem nos conheço, ficar calado perante toda aquela argumentação não seria um dos caminhos por se percorrer. Entre palavreados, frases feitas e filosofias, tirando o brilho e a importância de todo o resto ao redor, músculos alongaram-se por toda a tua face, covinhas entre o buço e as bochechas foram formadas, um brilho resplandecente se fez surgir sob a cutícula de felicidade que envolvia teus olhos, dando lugar à uma luz, uma paz, um mistério, uma perfeita dentição que no seu adorno doce derreteu-me o coração, dando lugar ao sorriso que inspira-me poemas, que me cede noites de suspiros e que me leva a amar-te mais e mais, com o correr dos nossos dias, amor.
Sorriso este, que naquele momento congelou o tempo, transformou segundos em eternidade e que retirou a importância do restante a nossa volta… Levando os meus olhos analistas para o resto do teu fisico, para o restante dos atributos ‘’ macho alfa’’ acordando instintos adormecidos pelo tempo e pela pouca oferta de qualidade em um mercado apenas interessado em lucros. Neste momento eu soube, bem no fundo, serias meu…

A eterna montanha-russa, a força electro-motriz e todas as energias do universo, conspiraram contra uma possível conversa, míseros 5 minutos de encontro de almas nos foram negados, algo que nos fizesse reparar minuciosamente um no outro, que nos mostrasse o que estava diante de nós, que numa corrida incessante desta pobre vida que temos, aonde perde-se tanta energia em algo que sempre esteve ao nosso dispor. Em meses de convivências estritamente profissionais, em saudações mormente relevantes e em cruzamentos pelo pátio em que a existência um do outro por nós foi completamente ignorada.


Como se diz amor, ‘’ Atrasa-se o encontro de almas, porém nunca poderão ser impedidas’’ de historias escritas a caneta de penas em papel de ‘’ Fangmatan’’ e guardadas a sete-chaves no baú dos destinos… 

Créditos : Diandro Monteiro Faz tempo que não venho a este apartamento, me deparo com os móveis envelhecidos pelo tempo, com os sofá...






Créditos : Diandro Monteiro

Faz tempo que não venho a este apartamento, me deparo com os móveis envelhecidos pelo tempo, com os sofás bege no canto da sala que outrora exaltavam  beleza. Retiro a chave da fechadura da porta, permito-me ter alguns  minutos de reflexão e de nostalgia, nostalgia essa de todos aqueles poços de lagrimas e sorrisos que cá tivemos. Dou dois passos em direcção à sala-de-estar, pouso a chave na mesa de jantar e abro as cortinas para que se deixasse entrar um pouco de luz e ar naquele pobre apartamento escurecido e esquecido por tantos meses…

Vou à cozinha, e por algum espanto noto que a minha cafeteira velha ainda ‘’ dava po gasto’’ pego em uma das minhas chávenas de café favorita, passo por agua e retiro o café que por pura sorte não tinha expirado e ainda assim mantinha o mesmo frescor de quando o comprei. Sento-me no mesmo lugar de sempre, em direção à grande janela da sala e vejo que apesar de me encontrar na mesma situação de alguns meses atrás, de que apesar de ter a mesma chávena, o mesmo café e estar no mesmo local de antes, as sensações não eram as mesmas, foi como se estivesse a revirar um antigo álbum  de fotografias de todos aqueles  momentos felizes, tristes que agora fazem questão de ficar no passado. Apesar de tudo e tanto, tampouco pude voltar a envolver-me emocionalmente como deveria.

—Encontro-me na mesma situação — digo para mim mesma em voz alta, como se quisesse ter certeza da convicção das minhas palavras.


Não sei ao certo o porquê de ter vindo à este apartamento, pela condição dele, nota-se que ele não tem  pisado os pés aqui ultimamente, na verdade está tudo como deixei, tirando alguns dos seus livros que ele removeu das caixas que estavam arrumadas no corredor.
Ele deixou impecavelmente tudo, da mesma forma que o fiz. Talvez tenha sido por respeito, indiferença, quem sabe os seus reais motivos para deixar tudo exactamente como estava quando todos aqueles momentos foram cá vividos.

—Acredito, que devíamos vende-lo
—Chega a ser pecado manter tanto sofrimento em um pobre quadrante de paredes.

 Talvez devêssemos deixa-lo para outras pessoas, casais, amigos, alguém que o possa dar um ar mais merecedor. Talvez devessem pintar paredes, parti-las ou talvez deixa-las como estão.

Talvez devessem transforma-lo em uma loja quiçá um atelier de artes ou moda …

Quem sabe o faça, talvez o ligue para apresenta-lo a proposta… Penso para mim mesma enquanto lavo a chávena, retiro as chaves da mesa de jantar, me dirijo a porta, saio e tranco-a deixando para trás, de uma vez por todas aqueles sentimentos de nostalgia .

Quem sabe (…)

Deixei-me estar no sofá, evito a conversa chata de ter de me levantar e explicar descaradamente o porquê de não o amar como ele ...





Deixei-me estar no sofá, evito a conversa chata de ter de me levantar e explicar descaradamente o porquê de não o amar como ele tanto quis. Dispenso a hipocrisia, de qualquer modo ele já está magoado, de qualquer forma nada do que eu venha a dizer vai mudar o facto de que eu não posso, não consigo e pior, não tenho como o amar da mesma intensidade que ele o faz ! 

Meu coração foi congelado há tanto tempo atrás, querido— Digo para mim mesma, enquanto os meus olhos fazem questão de seguir cada passo daquela sombra de homem em direcção a porta do meu apartamento e vida.

 Não te vou impedir—Penso para mim mesma, o que iria dizer ? Que foi tudo um mal-entendido, de que as coisas poderiam ter dado certo de alguma forma, que eu não o mereço ? 

De facto não, chega a ter um pingo de verdade em tudo isso … Mas e eu, não mereço protecção?

Afinal de contas o que poderia ter corrido mal ?

 Ser amada de tal forma que me faria me sentir ‘’ Addicted’’ à cada detalhe do seu corpo… ‘’ Não me parece, querido !’’ Não me parece que eu vá abrir mão de tudo que conquistei por ti, não me parece que vá me deixar vulnerável por que tu não pudeste controlar esses sentimentos que tomaram o controle dos teus actos e agora dos teus palavreados . Não, não me parece, querido . 


Afinal de contas, olha bem para mim ! Eu não te mereço, não mereço esses sonhos que tens de uma futura família, não mereço a tua ingenuidade em pensares que de alguma forma isso irá te tornar menos vazio ! Não tenho o direito de arrancar-te  dessa forma tão brusca a ideia cor-de-rosa que tens tu desse mundo tão sem futuro algum …



Lamento querido, mas não te posso impedir de sair por aquela porta.
Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

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