É SUPOSTO SER ASSIM ?  É SUPOSTO olhar para as nossas fotos com nostalgia e ter de fingir que me sinto bem com tu...









É SUPOSTO SER ASSIM ? 


É SUPOSTO olhar para as nossas fotos com nostalgia e ter de fingir que me sinto bem com tudo isso, quando não. Toda vez que arrumo o meu guarda-fato, ter de olhar para as tuas meias, para as tuas camisas, para as tuas t-shirts velhas, esquecidas no fundo da tua  gaveta, que não sei por que razão, ainda não a deitei fora.

É SUPOSTO procurar um pouco de ti em todos os homens que conheço, é suposto ser ainda tão dependente de ti, como sou. Ouvir as nossas músicas no fundo do meu ambiente de trabalho. É suposto adormecer todas as noites, com a imagem do teu sorriso, com o brilho dos teus olhos, com o desejo do teu toque na minha pele, enquanto encontro consolo entre os meus dedos, desde que a tua ausência deixou esse fogo de mulher, fogo de mulher por ti, para trás.

Não te consigo perdoar ! Tento, mas não consigo. 

Não consigo perdoar o homem que trouxe cor para os meus dias, e arrancou-o bruscamente, sem  piedade, deixando essa mulher cinzenta por dentro, mulher amarga, essa mulher não-tão-sua ultimamente. NÃO TE CONSIGO PERDOAR. Pergunto-te é SUPOSTO SER ASSIM ?

Teres secado o vale das minhas lágrimas, mas teres deixado o meu coração num oceano de incertezas, ânsias, num vale de tanto-fiz, tanto-faz.


São em noites como essa, que tudo em ti me faz falta, desde o  mau-feitio, até a fria  insensibilidade tão característica . 

Seria engraçado, talvez chegaria a ser ridículo, que o meu coração se tenha transformado (estupidamente) masoquista a este ponto. 

Ainda não aprendi a apagar-te de mim.


 'Just come back,please! '




Com amor, Helena.

'' O que há entre um amor e outro ? '' ‘’Descansa, reponha as suas forças querida. Tudo virá à seu tempo’...






'' O que há entre um amor e outro ? ''


‘’Descansa, reponha as suas forças querida. Tudo virá à seu tempo’’

Dizia a minha mãe enquanto acariciava o meu cabelo com ternura.


O meu receio, após o nosso término, a solidão, as noites de sábado que passaria na cama, com a minha playlist de blues and soul music, as vezes em que iria encharcar o meu travesseiro com a água salgada que escorre pelos meus olhos, todas as vezes em que os meus demónios vencem a beleza dos dias, em que sempre procuro prazer .

Mas, o que houve entre um amor e outro ? 

Entre eles, houve tempestade, houve dor, muita dor. Houve desespero, medo, angústia e uma enorme vontade de desistir de toda esta corrida e de voltar para o seguro e conforto dos teus braços. Entre um amor e outro, houve perdas, houve ganhos, ouve alguns gritos de apego, outros de possessão, mas o que ecoou mais alto, foram aqueles gritos de liberdade . Das tardes de gargalhadas, das tardes de maresia. 

Entre um amor e outro ? Houve poesia, ouve a descoberta da escritora em mim, ouve o ‘’ voar sem asas’’ dos dias de lazer. Houve a descoberta dos prazeres de uma simples brisa no rosto. Neste intervalo descobri o prazer pelos chás quentes em noites de inverno ‘chá verde,chá de camomila, chá preto, chá negro.’  Descobri o prazer de se deslumbrar com  o modo como o sol se põe entre as arvores, que apenas a vista da minha janela, tem o prazer de ‘ ter’ . 

Houve a busca do doce nas amarguras dos meus palavreados, houve a busca da doceira em mim. Houve a pratica, houve a habilidade, houve o prazer no fazer, houve o prazer de crescer(…)


Entre o teu amor e o de outrem, Houve o perdão, a aceitação, houve o querer, mas melhor do que tudo, houve o prazer no saber… Devorei uns quantos livros, embebi-me de poesia, filosofia e ciência. Não foi tudo  um caso perdido, porque entre o teu amor e outro. Ouve, sim Houve o mais importante de todos, o AMOR-PRÓPRIO. 



Hoje, danço. Hoje, escrevo. Hoje, confeito, hoje, canto. Hoje, me amo. 

''Respira, respira, vamos devagar, conta até 3 e levanta''.  ''Vamos''  !  Apoiei os bra...







''Respira, respira, vamos devagar, conta até 3 e levanta''. 

''Vamos'' ! 

Apoiei os braços por cima dos ombros dela, deixei-me descansar por poucos minutos naquele abraço sincero, misericordioso, naqueles braços de protecção e de amor. Caminhamos por mais alguns quilómetros, o trajecto era complicado, difícil, de fazer qualquer um desistir, mas ela continuou, incessante(…)  

 Eu lembro,  de vezes em que vomitei no seu colo palavras que nunca proferi, nem nos silêncios dos mais remotos pensamentos que me assombravam nas madrugadas frias e solitárias. 

Lembro de vezes em que me senti disposta a andar mais alguns quilômetros, do lado dela, de mãos dadas, não naquele trapo de gente que me encontrava e que a fazia carregar.
Caminhos longos, caminhos movidos pela esperança, pela fé daquela mulher, de me tirar das armadilhas que eu criava para o meu trilho. Caminhos com alguns atalhos, mas atalhos que não davam lado algum, mas que por vezes nos permitiam sentar a sombra da bananeira, beber da agua fresca dos poços e de sentar em cacimbas durante dias, dias alegres, dias eufóricos, dias em que a montanha russa dos meus anseios, decidia que deveria ver a beleza das nuvens, sentir o vento pelas asas das aves, sentir o sol poente das tardes de maresia… 


Houve dias. Dias em que nem a ilusão do oásis no deserto  era suficiente .


Mas andámos, ‘’ Vamos filha, dez passos para trás, onze passos para frente ‘’ 

‘’ Não tenhas medo, eu estou aqui. Não te abandono ! ‘’



Dedicado a minha amiga, Lizandra Gomez.  




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