A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO  Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, p...

A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO 





Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, pesada, tonta. No caminho, passo pela sala e toda aquela confusão continuava ali. Dou meia volta e de cara para o espelho, toco no rosto e passo os dedos ao redor daquele meu olho roxo, passo uma mecha de cabelo por de trás da orelha e sorrio… 

A noite de ontem foi confusa, ele tinha chegado a casa totalmente fora de si, aos tombos, totalmente bêbedo.

Sinto o corpo dolorido, passo água no rosto, limpo com uma toalha e saio. 

Sento-me no sofá perto da janela, acendo um cigarro e expulso todas as preocupações, todas aquelas dores que senti nos últimos meses, toda aquela insegurança. Ponho-me a refletir sobre tudo que tinha acontecido, desde o momento em que ele transpôs aquela porta, em que partiu para cima de mim, em que bateu bem no meio do meu rosto, em que quase fraturou-me uma das costelas de tantos chutes que levei covardemente naquele tapete, enquanto ele ria-se e eu ria-me de mim,   rimos de nós , rimos tanto, que acabamos por ‘’ fuder ‘’ ( se for esse o termo mais adequado para aquilo que fizemos) no meio daquele desastre todo. Com todo o ódio que sentíamos um pelo outro, foi intenso, foi maldoso, foi terrível, foi desastroso, foi ‘’ TÃO ‘’ nós (…)


Deitamo-nos no tapete, acendemos um cigarro e fumamos todas aquelas prosas… 

                                                                  ***
Deitei o cigarro por cima do AC do vizinho de baixo, virei-me de encontro a porta do quarto, e lá estava ele, de pé totalmente nu, eu conhecia aquele olhar, conhecia aquela expressão, iria acontecer tudo novamente… ( Risos)

SE EU VIVESSE DE MIGALHAS Se eu vivesse de migalhas teria atendido ao teu telefonema naquela sexta há noite em que co...







SE EU VIVESSE DE MIGALHAS



Se eu vivesse de migalhas teria atendido ao teu telefonema naquela sexta há noite em que convidaste-me para jantar naquele restaurante no centro da cidade. Se eu vivesse de migalhas teria retornado a chamada depois daquela noite de sexo ardente que tivemos, se eu vivesse de migalhas querido, teria acreditado em todas aquelas mensagens que trocávamos, teria acreditado em todas aquelas noites em que ficamos horas e horas  falando no skype. 


Se eu vivesse de migalhas, teria te dito ‘’ TE AMO’’  na primeira vez em que senti as minhas pernas bambas, o meu estômago as voltas, a minha cabeça a roda e a boca seca, roca, quando ligasses para mim. Se eu vivesse de migalhas, teria acreditado, em tudo, teria me iludido com este sorriso matreiro que exalavas, Se eu vivesse de migalhas, teriam sido apenas migalhas, nada mais.

Então, eu não vou retornar todas essas chamadas, eu vou me rir da tua cara cada vez que disseres que tens saudade, eu vou fingir sorrisos na tua cara, enquanto tudo o que quero é cuspir no teu rosto por achares-me tão estúpida ao ponto de não reconhecer essas ‘’migalhas’’ de 3 meses ou menos, em que depois de te aborreceres do jogo, ou de ao menos teres a sensação de que me ganhaste por completo e virares, ires-te embora… 

 - Eu amo-te- Disseste tu.

 - Eu também te amo- Disse eu … 




Este está a ser um daqueles domingos frios, vazios, sem sol algum. E eu aqui, nessa cama deitada o dia inteiro com a cabeça muito lo...






Este está a ser um daqueles domingos frios, vazios, sem sol algum. E eu aqui, nessa cama deitada o dia inteiro com a cabeça muito longe do meu corpo, muito longe da minha órbita e muito perto de ti. Tenho o telemóvel do lado da cama, que as vezes chego a sentir uma leve vibração. Espero a tua chamada !

Espero que ligues, a rotina tem sido a mesma desde há 2 meses atrás,desde que saíste por aquela porta. Os sonhos têm sido constantes, contigo sempre  do outro lado, com o teu sorriso meio psicopata enquanto as tuas mãos percorrem o meu corpo, como se eu fosse uma das tuas telas, como se estivesses entusiasmado em fazer dessa simples mulher, mais uma das tuas obras de arte, de valores incalculáveis que deixarias no canto do teu estúdio, no lado das outras que sempre foram ‘’  PRECIOSAS’’  para ti.

Mas não, nem uma chamada, nem uma sms, nem sequer um torpedo. Não ter noticias tuas é torturante. Simplesmente desapareceste de todo o mundo real, porque dentro de mim, ainda existes aos montes, impregnado nas minhas roupas, tatuado na minha alma, e não há cirurgia que te tire, não há terapia que amenize, simplesmente decidiste lá ficar, aos tombos, provocando-me borboletas na barriga sempre que lembro de ti, decidiste ficar. Mas eu bem queria que não fossem apenas as minhas memórias que te mantivessem preso a mim. Mas, que todo o teu corpo físico continuasse ali, aqui, em todo o nosso lar, no outro lado da minha cama, no sofá com o jogo de futebol, na cozinha com o cheiro dos teus cozinhados, e na varanda com o cheiro do teu cigarro. Que simplesmente ficasses, com todos aqueles defeitos que achei que não suportaria por muito tempo, que simplesmente ficasses por inteiro, não por essa metade que deixa o vazio, o silêncio no nosso lar, mas que continua aos gritos dentro de mim(…) 



Com amor, Helena .

                      Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter ...

                     






Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter sido um sonho. Lembro de bater em meu rosto algumas vezes, apenas  para ter a certeza de que nao fazia tudo parte da minha imaginação, até porque nao seria a primeira vez em que sonhava que saías por aquela porta. Acordava apavorada, mas lá estavas tu sempre, no outro lado cama, imaculado, lindo, perfeito, perfeito disse eu…

Mas nao, eu nao acordei,nao na  minha cama,  nao acordei do teu lado, nao acordei com o teu rosto virado para mim, eu continuava ali especada feito uma idiota em frente daquela porta. 


-Helena !!!!!!! 

-Querido ? 

-Onde estás Helena? Preciso que venhas ajudar-me a desfazer essas malas.

-Uff - Suspirei

-Sabes que estou farta de ter que arrumar sempre as tuas meias, as tuas botas, os teus pincéis, a tua -desarrumação  e pior a tua vida.

-Se tivesses tão farta assim querida, nao me deixavas passar por aquela porta pela terceira vez, então nao reclames tanto…

Deixei os meus livros por cima da mesa de canto e fui ao encontro dele, ele encontrava-se irresistível como sempre. O cabelo negro, com as suas velhas jeans sujas de tinta e com aqueles ombros vastos nus, todo para mim, aquele homem era meu e eu era dele, nos pertencíamos, era quase como uma maldição, estávamos ‘’ amarrados um ao outro ‘’.



Divaguei sobre esses momentos por algum instante enquanto sentava-me sob a cabeceira da nossa cama. Sempre gostei de alimentar-me de lembranças boas enquanto o sentia distante de mim, era como se fosse quase uma terapia, como se precisasse lembrar de que sou amada, que aquela mulher pouco atraente por frente do espelho prendia a atenção de alguém, prendia a atenção do alguém, eu era amada por aquele demônio, aquele demônio soube me amar, soube me fazer amar e soube me fazer amar-me. Aquele demônio foi meu,  foi, disse bem (...)


‘’ Com a porta semi-aberta caso penses em voltar. E no caso de pensares, não penses, volta !’’ 



Com amor, Helena.

Drogas , para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei ...









Drogas, para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei que tivesse.


Faz alguns dias desde a ultima vez que falámos, por vezes ainda sinto o teu cheiro no outro lado da nossa cama, mas sei que pode ser tudo paranóia minha, porque no dia em que fechaste aquela porta, em que trancaste nao a 7 chaves, mas a 14, fiz questão de deitar todos aqueles lençóis, de desinfectar aquela que foi a nossa casa, precisava que desaparecesses de tudo que me rodeava. 

Mas ainda  te sinto aqui, e muito.

Numa noite de abril, numa sexta acho eu, a mais fria de todas em que chovia torrencialmente no lado de fora, cheguei à casa e encontrei as tuas chaves sobre a mesa como constantemente fazias, mas naquele dia foi diferente, nao havia o cheiro das tuas panquecas nem o barulho do televisor, nao havia os teus pincéis espalhados pela sala e tu, tu querido, tu nao eras aquele homem sentado no sofá com as tuas malas de lado… 
Olhaste para mim enquanto me aproximava de mim.  Levantaste-te no momento em que tentei tocar-te, afastaste as minhas mãos de ti e disseste : 

-Helena, eu preciso de espaço, espero que entendas.
-Espaço ? - Disse estupefacta enquanto tentava encontrar o meu demónio naqueles olhos, que de alguma forma nao olhavam para mim de volta da mesma forma .



Reviraste os olhos, pegaste nas tuas malas, nos teus pincéis, no cheiro das tuas panquecas, e no barulho do jogo de futebol das sextas a noite e o pior pegaste no que restava de mim e simplesmente foste, enquanto eu esperava imóvel que olhasses para trás, que mostrasses algum tipo de hesitação, que simplesmente espelhasses alguma dúvida. Mas nao, teus passos pareciam decididos em transpor aquela porta para nunca mais voltar e assim o fizeram, batendo a porta ao ritmo do meu coração, deixando somente  o silêncio em volta daquelas paredes(…)

 As malas dispostas por cima da minha cama, as minhas roupas embrulhadas no canto e no ar a dúvida  do que levaria.  Talvez d...







 As malas dispostas por cima da minha cama, as minhas roupas embrulhadas no canto e no ar a dúvida  do que levaria. Talvez devesse  levar as minhas malhas quentes, ouvi que este tempo em Londres o clima estava de inverno...
   
 E lá  estavas tu no lado da porta, prestável como sempre foste e tentado convencer-me do porque deveria deixar todos aqueles calções  de que tanto gostava, pois só teria mais excesso e o dinheiro naquele dia estava quase escasso.

Fechamos as Malas, pusemos os cadeados e deixamos no canto da nossa sala, como se em alguma altura iríamos nos esquecer do que estava realmente a acontecer,  e talvez devêssemos levar um choque da realidade de que eu estava a ir-me embora e como disseste, precisávamos de nos habituar com a ideia o mais rápido possível.

    Faltavam apenas 4 dias para o dia D, e parecias estar bem, corajoso e decidido que aquele seria o nosso próximo passo, e sinceramente, esta era uma das qualidades que mais gostava em ti, a sensação de confiança que transmitias … 
                                                                   ***

     O DIA D, finalmente chegou e eu estava entusiasmada e feliz, ate porque aquela seria uma chance enorme de progredir na minha carreira, de seguir os meus sonhos, de levantar voo por mim mesma, sem ter sempre as tuas asas para ampararem a minha queda. Mas, neste dia, tu acordaste diferente, estranho e nao te encontrava nos teus olhos, pareceu que simplesmente tinhas desaparecido, que nao eras tu naquele momento, que ficou apenas um corpo frio no meio da nossa sala, com um sorriso idiota estampado no rosto, desejando-me boa viagem e dizendo-me que estarias no mesmo lugar depois de 12 meses esperando por mim,  ansioso. Disseste tu(…)


Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

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