Sempre me disseram que os olhos eram a janela da alma, que eles não mentiam, que eles eram puros, que eram a transparência de t...

DAS TARDES DE ABRIL PARA AS NOITES FRIAS DE JULHO Ep 01

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Sempre me disseram que os olhos eram a janela da alma, que eles não mentiam, que eles eram puros, que eram a transparência de tudo o que se passava por dentro. Mas não os meus, meus olhos eram tudo menos janelas,meus olhos eram pura malícia que se faziam rimar com a inocência do meu rosto. Meus eram dissimulados, manipuladores, meus olhos eram negros como a noite, meu olhos eram tudo, menos o que a minha alma era.

Eram duas da manhã, noite fria de cacimbo na cidade de kianda. Tinha uma taça de vinho entre as mãos e na outra o telemóvel, ele estava a caminho. Na minha mente se passavam milhares de coisas, como seria, o que faria, como terminaria. Trinta minutos depois, ouço o bater da porta e levanto-me.

Abro a porta e na minha frente encontrava-se aquele homem…

Passo a língua entre os lábios, tinha a garganta seca mesmo depois de tanto vinho que bebi, reparo aquelas mãos, aqueles braços e a forma como encaixavam naquele terno e como encaixariam em cada curva do meu corpo. 


Estávamos sentados no meu sofá, com vista para a baía. A noite estava perfeita, estrelada, a lua em conexão com o meu estado astrológico, 'Venus'. Aquele Deus do Ébano, fixava o meus olhos em busca de algo, mas tudo o que eu poderia oferecer-lhe era pura luxúria, luxúria que me queimava o corpo, que arrepiava cada pelo da minha pele, e os meus poros ? Meus poros estavam totalmente prontos para receber cada gota de suor sua ...


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