As paredes são as mesmas, as musicas no meu rádio a pilhas, os poemas por debaixo da mesa de centro e todos aqueles livros empilh...

DAS TARAS E TIRAS DE HELENA Ep 05

2 Comments








As paredes são as mesmas, as musicas no meu rádio a pilhas, os poemas por debaixo da mesa de centro e todos aqueles livros empilhados naquela estante velha disposta no canto da nossa sala.

A luz do pôr do sol continua a deleitar-se da mesma maneira sob a nossa janela, que ao se despedir de todo o seu espetáculo, ilumina a cabeceira da nossa cama, que torna visível as manchas de semanas sem limpeza. Tudo na ''mesmice'' querido, desde que partiste.

Os dias têm sido cinzas e azuis, tenho acordado em felicidades momentâneas e em tristezas que não me largam o corpo. Por vezes, acordo esperançosa, visto-me das nossas lembranças em verde claro, calço os nossos desejos e maquilho-me de nossas fantasias.

 E olha demônio! Por vezes até cozinho. Deixo a lasanha por cima da mesa, com o melhor dos vinhos que o meu salário pudesse comprar e espero… Paciente, durante horas, dias, semanas. Eu espero-te , até me afundar em mais um dos meus mares de vai-e-vem, de saudade, até voltar para  toda essa montanha russa que tenho vivido durante estes meses todos, demônio . ‘’Cima, baixo, baixo, cima’’…


                                                                   ***


Mais uma carta demônio, que vai para o fundo da gaveta dos meus pensamentos. Mais uma carta demônio, em que grito para as palavras, o que a minha boca não consegue gritar para os teus ouvidos.

No entanto, nesta noite não será diferente. Irei  sentar-me na nossa mesa, no mesmo lugar, de rosto virado para à porta, caso ouça a maçaneta girar, na companhia dos meus pensamentos, na companhia do silencio do nosso lar, com a taça de vinho, com a lasanha fria, e a tua cadeira vazia...



Com amor, Helena .


You may also like

2 comentários:

Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

Qual é a sua poesia favorita de 2016 ?