A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO  Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, p...

2 Comments
A MULHER QUE SE CASOU COM O DEMÓNIO 





Caminho em direcção ao quarto de banho, tenho a visão meio desfocada, sinto a cabeça a roda, pesada, tonta. No caminho, passo pela sala e toda aquela confusão continuava ali. Dou meia volta e de cara para o espelho, toco no rosto e passo os dedos ao redor daquele meu olho roxo, passo uma mecha de cabelo por de trás da orelha e sorrio… 

A noite de ontem foi confusa, ele tinha chegado a casa totalmente fora de si, aos tombos, totalmente bêbedo.

Sinto o corpo dolorido, passo água no rosto, limpo com uma toalha e saio. 

Sento-me no sofá perto da janela, acendo um cigarro e expulso todas as preocupações, todas aquelas dores que senti nos últimos meses, toda aquela insegurança. Ponho-me a refletir sobre tudo que tinha acontecido, desde o momento em que ele transpôs aquela porta, em que partiu para cima de mim, em que bateu bem no meio do meu rosto, em que quase fraturou-me uma das costelas de tantos chutes que levei covardemente naquele tapete, enquanto ele ria-se e eu ria-me de mim,   rimos de nós , rimos tanto, que acabamos por ‘’ fuder ‘’ ( se for esse o termo mais adequado para aquilo que fizemos) no meio daquele desastre todo. Com todo o ódio que sentíamos um pelo outro, foi intenso, foi maldoso, foi terrível, foi desastroso, foi ‘’ TÃO ‘’ nós (…)


Deitamo-nos no tapete, acendemos um cigarro e fumamos todas aquelas prosas… 

                                                                  ***
Deitei o cigarro por cima do AC do vizinho de baixo, virei-me de encontro a porta do quarto, e lá estava ele, de pé totalmente nu, eu conhecia aquele olhar, conhecia aquela expressão, iria acontecer tudo novamente… ( Risos)


You may also like

2 comentários:

Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

Qual é a sua poesia favorita de 2016 ?