Créditos : Diandro Monteiro Faz tempo que não venho a este apartamento, me deparo com os móveis envelhecidos pelo tempo, com os sofá...

UMA ULTIMA CARTA AO DEMÔNIO

3 Comments





Créditos : Diandro Monteiro

Faz tempo que não venho a este apartamento, me deparo com os móveis envelhecidos pelo tempo, com os sofás bege no canto da sala que outrora exaltavam  beleza. Retiro a chave da fechadura da porta, permito-me ter alguns  minutos de reflexão e de nostalgia, nostalgia essa de todos aqueles poços de lagrimas e sorrisos que cá tivemos. Dou dois passos em direcção à sala-de-estar, pouso a chave na mesa de jantar e abro as cortinas para que se deixasse entrar um pouco de luz e ar naquele pobre apartamento escurecido e esquecido por tantos meses…

Vou à cozinha, e por algum espanto noto que a minha cafeteira velha ainda ‘’ dava po gasto’’ pego em uma das minhas chávenas de café favorita, passo por agua e retiro o café que por pura sorte não tinha expirado e ainda assim mantinha o mesmo frescor de quando o comprei. Sento-me no mesmo lugar de sempre, em direção à grande janela da sala e vejo que apesar de me encontrar na mesma situação de alguns meses atrás, de que apesar de ter a mesma chávena, o mesmo café e estar no mesmo local de antes, as sensações não eram as mesmas, foi como se estivesse a revirar um antigo álbum  de fotografias de todos aqueles  momentos felizes, tristes que agora fazem questão de ficar no passado. Apesar de tudo e tanto, tampouco pude voltar a envolver-me emocionalmente como deveria.

—Encontro-me na mesma situação — digo para mim mesma em voz alta, como se quisesse ter certeza da convicção das minhas palavras.


Não sei ao certo o porquê de ter vindo à este apartamento, pela condição dele, nota-se que ele não tem  pisado os pés aqui ultimamente, na verdade está tudo como deixei, tirando alguns dos seus livros que ele removeu das caixas que estavam arrumadas no corredor.
Ele deixou impecavelmente tudo, da mesma forma que o fiz. Talvez tenha sido por respeito, indiferença, quem sabe os seus reais motivos para deixar tudo exactamente como estava quando todos aqueles momentos foram cá vividos.

—Acredito, que devíamos vende-lo
—Chega a ser pecado manter tanto sofrimento em um pobre quadrante de paredes.

 Talvez devêssemos deixa-lo para outras pessoas, casais, amigos, alguém que o possa dar um ar mais merecedor. Talvez devessem pintar paredes, parti-las ou talvez deixa-las como estão.

Talvez devessem transforma-lo em uma loja quiçá um atelier de artes ou moda …

Quem sabe o faça, talvez o ligue para apresenta-lo a proposta… Penso para mim mesma enquanto lavo a chávena, retiro as chaves da mesa de jantar, me dirijo a porta, saio e tranco-a deixando para trás, de uma vez por todas aqueles sentimentos de nostalgia .

Quem sabe (…)



You may also like

3 comentários:

  1. A transparência que demonstraste no texto
    Foi exatamente o que o deixou dessa maneira
    O palavrear e tbm a disposição das palavras
    Muitos parabéns, está lindo 👌👏👏❤

    ResponderEliminar

Poetiza da rotina . Com tecnologia do Blogger.

Qual é a sua poesia favorita de 2016 ?