Foram noites em branco, madrugadas de choros intermináveis, foram gritos de desespero, de desapego, como se me estivesse...

COMO SE CONGELA UM CORAÇÃO

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Foram noites em branco, madrugadas de choros intermináveis, foram gritos de desespero, de desapego, como se me estivessem a arrancar de ti ou melhor como se eu estivesse a arrancar-te de mim. 

E hoje tu voltas, encontraste a porta trancada mas mesmo assim insististe em bate-la vezes e vezes sem conta, e mesmo que eu tenha ouvido o barulho dos teus punhos na superfície do meu coração, o aço não me permitiu voltar a deixar- te entrar, não para os meus aposentos, para o mais intimo do meu ser. 

Mas educada que sou, convidei-te à  sala de estar, para que pudesses ver como o verde nas paredes fica melhor do que aquele laranja encardido que tinha este apartamento, deixei-te entrar para que pudesses ver como a mudança do móveis fez com que a aura desta divisão se tornasse mais leve,e como parti aquelas paredes, permitindo a entrada de ar puro, que me deixasse ‘’ respiraaaaar ‘’ 

 E embora, não o tenhas feito  com palavras querido, eu sabia  que os teus olhos gritavam por explicações, por tardes de café e discussões intermináveis de como poderíamos resultado, se eu não tivesse… se eu não fizesse… se eu não fosse ( risos ) 

Mas meu coração congelou-se, o meu intimo tornou-se impenetrável e a prova de cada comentário desagradável que viesse de ti, tinha criado uma armadura de gentileza apesar do inverno que habitava dentro de mim. 

E desse modo ‘’Eu lamento’’, mas não foi bem  assim. Não foi desta forma que eu tranquei o meu coração. E sinto muito que tenhas sido cego o suficiente para perceber que todas aquelas cartas que te escrevi, descreveram o processo do arrefecimento do  meu eu. Todas as vezes em que gritei por ti, mas que infelizmente a tua surdez não te permitiu ouvir, enquanto achava que a minha carne aguentaria pouco longe dos teus dedilhados. Tão ingénua que fui …

E  hoje voltas, e tudo o que posso me permitir sentir é pena, pena de não ser a mesma mulher que esperavas encontrar neste apartamento, sinto pena pelo meu corpo não se permitir sentir muito por ti ou até quase nada ! Privilegiado serias, se te odiasse, se sentisse magoa, ou se ao menos me deixasse mover pelo sentimento de vingança ! Mas infeliz ou felizmente,não, não existe absolutamente nada de ti entre as divisões do meu coração, fiz questão de empacotar os teus pertences, e deixa-los ir com o vento. 

Portanto o que te aconselho, é que pegues no resto de dignidade que te resta, que  dês meia-volta e que ao menos desta vez, tenhas a decência de fechar a porta delicadamente e que te leves para bem longe de mim ! E quanto a despedidas ?  Eu ja disse adeus ao homem que amei faz tempo e pelo teu próprio bem, deverias fazer o mesmo (…)



Boa sorte, e não voltes !


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4 comentários:

  1. Minha escritora blogueira favorita😍 Sabes eu tbm já me senti assim, é só espero que Dessa vez o meu ♥️tenha de facto congelado e n apenas ter a aparência de um

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  2. Simplesmente magnífico. A tristeza desfolhada e detalhada por palavras escritas.. amei ❤

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