Drogas , para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei ...

DAS TARAS E TIRAS DE HELENA Ep 01

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Drogas, para muitos uma forma de destruição um abismo sem volta, mas para mim era tudo o que tinha ou que ao menos pensei que tivesse.


Faz alguns dias desde a ultima vez que falámos, por vezes ainda sinto o teu cheiro no outro lado da nossa cama, mas sei que pode ser tudo paranóia minha, porque no dia em que fechaste aquela porta, em que trancaste nao a 7 chaves, mas a 14, fiz questão de deitar todos aqueles lençóis, de desinfectar aquela que foi a nossa casa, precisava que desaparecesses de tudo que me rodeava. 

Mas ainda  te sinto aqui, e muito.

Numa noite de abril, numa sexta acho eu, a mais fria de todas em que chovia torrencialmente no lado de fora, cheguei à casa e encontrei as tuas chaves sobre a mesa como constantemente fazias, mas naquele dia foi diferente, nao havia o cheiro das tuas panquecas nem o barulho do televisor, nao havia os teus pincéis espalhados pela sala e tu, tu querido, tu nao eras aquele homem sentado no sofá com as tuas malas de lado… 
Olhaste para mim enquanto me aproximava de mim.  Levantaste-te no momento em que tentei tocar-te, afastaste as minhas mãos de ti e disseste : 

-Helena, eu preciso de espaço, espero que entendas.
-Espaço ? - Disse estupefacta enquanto tentava encontrar o meu demónio naqueles olhos, que de alguma forma nao olhavam para mim de volta da mesma forma .



Reviraste os olhos, pegaste nas tuas malas, nos teus pincéis, no cheiro das tuas panquecas, e no barulho do jogo de futebol das sextas a noite e o pior pegaste no que restava de mim e simplesmente foste, enquanto eu esperava imóvel que olhasses para trás, que mostrasses algum tipo de hesitação, que simplesmente espelhasses alguma dúvida. Mas nao, teus passos pareciam decididos em transpor aquela porta para nunca mais voltar e assim o fizeram, batendo a porta ao ritmo do meu coração, deixando somente  o silêncio em volta daquelas paredes(…)


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