Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter ...

DAS TARAS E TIRAS DE HELENA Ep 02

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Com o bater da porta permaneci imóvel durante cerca de 5 minutos, nao podia acreditar, só poderia ter sido um sonho. Lembro de bater em meu rosto algumas vezes, apenas  para ter a certeza de que nao fazia tudo parte da minha imaginação, até porque nao seria a primeira vez em que sonhava que saías por aquela porta. Acordava apavorada, mas lá estavas tu sempre, no outro lado cama, imaculado, lindo, perfeito, perfeito disse eu…

Mas nao, eu nao acordei,nao na  minha cama,  nao acordei do teu lado, nao acordei com o teu rosto virado para mim, eu continuava ali especada feito uma idiota em frente daquela porta. 


-Helena !!!!!!! 

-Querido ? 

-Onde estás Helena? Preciso que venhas ajudar-me a desfazer essas malas.

-Uff - Suspirei

-Sabes que estou farta de ter que arrumar sempre as tuas meias, as tuas botas, os teus pincéis, a tua -desarrumação  e pior a tua vida.

-Se tivesses tão farta assim querida, nao me deixavas passar por aquela porta pela terceira vez, então nao reclames tanto…

Deixei os meus livros por cima da mesa de canto e fui ao encontro dele, ele encontrava-se irresistível como sempre. O cabelo negro, com as suas velhas jeans sujas de tinta e com aqueles ombros vastos nus, todo para mim, aquele homem era meu e eu era dele, nos pertencíamos, era quase como uma maldição, estávamos ‘’ amarrados um ao outro ‘’.



Divaguei sobre esses momentos por algum instante enquanto sentava-me sob a cabeceira da nossa cama. Sempre gostei de alimentar-me de lembranças boas enquanto o sentia distante de mim, era como se fosse quase uma terapia, como se precisasse lembrar de que sou amada, que aquela mulher pouco atraente por frente do espelho prendia a atenção de alguém, prendia a atenção do alguém, eu era amada por aquele demônio, aquele demônio soube me amar, soube me fazer amar e soube me fazer amar-me. Aquele demônio foi meu,  foi, disse bem (...)


‘’ Com a porta semi-aberta caso penses em voltar. E no caso de pensares, não penses, volta !’’ 



Com amor, Helena.


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